Amor Possível: Netflix mostra os bastidores do filme de Lee Chang-dong antes de 6/11
A Netflix publicou o making of de Amor Possível. Lee Chang-dong explica o título, a demissão em massa que inspirou o filme e os quatro papéis. Estreia em 6/11.

A Netflix publicou em 5 de outubro o making of de Amor Possível, com 9 minutos e 34 segundos de entrevistas do diretor Lee Chang-dong e do elenco. O filme estreia na plataforma em 6 de novembro, e o vídeo explica de onde saiu a história: a demissão em massa de uma grande empresa sul-coreana, mais de dez anos atrás.
O vídeo está no canal Netflix K-Content, em coreano e com legendas em inglês, e tem uma versão no canal global da Netflix. Pelo que ele mostra, o filme (em coreano, Ganeunghan Sarang) parte de um caso real, e o diretor tem uma explicação para o título. O resumo do que o making of diz está abaixo, sem revelar o que acontece no filme.
O making of reúne Lee Chang-dong e o elenco falando do que inspirou o filme e do que cada personagem carrega, com cenas de bastidor e legendas em inglês.
O título e a pergunta que o diretor faz
Lee diz no vídeo que muita gente estranha o título. A explicação dele: toda história de amor, no fundo, trata de um amor difícil de acontecer, o que em inglês seria um impossible love. Ele cita o destino, a classe, a posição social e os inimigos de Romeu e Julieta como obstáculos, e diz que quanto maior a dificuldade, mais tensão a história ganha. O filme, segundo ele, pergunta que amor é possível e o que esse amor significa.
No fim do making of, o diretor resume o filme como uma história sobre amor e diz que gostaria que o público levasse dele um sentimento que não se encontra em outro lugar.
A demissão em massa que deu origem à história
Lee conta que a ideia nasceu de um episódio de mais de dez anos atrás: a demissão coletiva numa grande empresa, a greve geral que veio junto e a repressão forçada dessa greve pelo poder público, que chocou a Coreia do Sul. Ele diz que já pensou em fazer um filme sobre isso na época. O diretor também afirma que a questão do trabalho muda a vida das pessoas em toda parte, e não só a dos coreanos.
A segunda peça veio depois: uma história sobre quem faz cinema. Ao juntar o operário demitido com o casal de uma documentarista, ele diz que passou a achar que o filme era possível. Ele resume o resultado numa frase do próprio vídeo: um casal de demitido e esposa encontra um casal de documentarista e marido, e os quatro encaram desejos escondidos.
Os quatro personagens, segundo o diretor
Lee descreve cada papel no vídeo. Ho-seok é o trabalhador demitido, e Mi-ok, a esposa dele; para o diretor, os dois lembram o tipo de gente comum que se vê em qualquer lugar do país, mas cada um tem uma vida interna que só aquela pessoa mostra. Ele chama Mi-ok de uma mulher prática, com uma energia de vida difícil de resumir, que vive com uma bomba-relógio no peito: a ferida do marido pode estourar a qualquer hora, e ela não desiste dele. Sobre Jeon Do-yeon, diz que ela não apenas interpreta, mas vive a personagem.
Sobre Ho-seok, o diretor diz que a demissão pode soar como um fracasso pessoal, e que o personagem tenta não mostrar isso no dia a dia. Para Lee, Jeon Do-yeon e Sul Kyung-gu eram os únicos atores possíveis para o casal.
Ye-ji, a documentarista, é descrita como uma pessoa intelectual e de forte consciência de si como cineasta, um papel que, para ele, só se faz entendendo com o corpo, e não analisando de longe. É o papel de Cho Yeo-jeong. O marido dela, Sang-woo, é um homem que vive entre o 1% mais rico do país, mas que, segundo o diretor, é humano demais para ser chamado só de capitalista: tem educação e cuidado com os outros. É o papel de Zo In-sung, e Lee diz que a presença dele diante da câmera mostraria um lado novo do ator.
O que os atores contam
O vídeo não identifica por escrito quem fala em cada trecho do elenco, então os depoimentos abaixo ficam sem nome. Um deles diz que quis aceitar o filme pelo nome de Lee Chang-dong e que a vontade aumentou ao ler o roteiro. Outro conta que a leitura deixou um sentimento tão forte que não conseguiu ligar para o diretor na hora, e que a sensação foi a de ter lido uma obra literária. Um terceiro diz que, ao interpretar o personagem, tentou sentir a ansiedade e a dor do personagem e seguir o que o diretor queria mostrar, em vez de partir da própria visão.
Onde ver o filme e o making of
Amor Possível entra na Netflix em 6 de novembro de 2026. A descrição do vídeo lista as seleções oficiais do filme: os festivais de Veneza, Toronto, Nova York, San Sebastián, Zurique, Vancouver e o BFI de Londres. A data de estreia, o prêmio de Veneza e o elenco estão na matéria de 25 de setembro. O making of está no canal Netflix K-Content, no YouTube.