Chapéus de sageuk: o que o gat diz sobre a posição social de quem o usa
O gat, chapéu preto da Joseon, mudava de cor, de cordão e de enfeite conforme o posto. A enciclopédia coreana explica, e em 1895 a regra de nascimento acabou.

O gat (갓), o chapéu preto de copa cilíndrica e aba que o homem adulto usava na Joseon, dizia a posição social de quem o usava por detalhes: a cor mudava conforme a ocasião, o material do cordão e o enfeite do topo seguiam o posto, e na corte o chapéu era outro, o sa-mo (사모). Em 1895 a diferença de nascimento no vestuário acabou.
A redação leu em 3 de outubro de 2026 o verbete 갓 da Enciclopédia da Cultura Coreana, da Academia de Estudos Coreanos, escrito em 1995 por Kang Sun-je, da área de história do vestuário, e revisado em 22 de junho de 2026, e um texto de 3 de agosto de 2006 do informativo da Agência do Patrimônio da Coreia sobre o artesão do gat. O verbete descreve a Joseon, não séries, e a redação não conferiu o figurino de nenhuma delas. As fotos têm licença livre e o vídeo é do canal oficial da Arirang TV.
O gat era o chapéu de sair de casa
Segundo o verbete, o gat tem duas partes: a copa (모자), que cobre a cabeça, e a aba (양태), que protege o rosto. Começou como peça prática, contra sol, chuva e vento, e virou chapéu de posição social quando materiais, formas e jeitos de fazer se multiplicaram. Ia sobre o cabelo preso em coque, com o mangeon (망건) e o tanggeon (탕건) por baixo, e era usado para sair de casa e em cerimônias, quando era preciso estar com o traje completo.

Em sentido estrito, gat é o heugnip (흑립), o preto. Em sentido largo, o nome cobre também o paeraengi (패랭이), o chapéu trançado da foto acima, e variantes como o jurip vermelho e o baengnip branco, que entram na seção seguinte. O heugnip se firmou como o gat típico e foi usado tanto pela elite letrada (사대부) quanto pelo povo (서민). Entre os vários chapéus da época, diz a enciclopédia, foi o mais difundido, com preferência da camada dos yangban. Quem está chegando ao gênero encontra o contexto em o que é sageuk, o guia para entrar nos doramas históricos coreanos.
Preto, vermelho e branco: a cor muda o recado
A laca preta é a cor de origem do gat, mas a enciclopédia diz que a cor mudava com o uso. O jurip (주립), de laca vermelha, era o chapéu dos oficiais militares de alto escalão (danggwan, 당상관) quando vestiam o traje militar (융복). O baengnip (백립), branco, era o do luto: ia com a roupa de luto (상복), em geral as pessoas o usavam entre duas cerimônias do luto, a daesang (대상) e a damje (담제), e ele também aparecia em luto nacional (국상).
Um detalhe fica em aberto, e a redação o deixa à vista. O texto do verbete diz que o jurip era de oficial militar, mas a legenda da foto do jurip, na mesma página, diz oficial civil (문신). O informativo de 2006 chama o gat vermelho de hongnip (홍립) e diz que era do militar (무관). A matéria segue o texto principal da enciclopédia e o informativo, que concordam.
A leitura da redação: o preto era a cor de base, e o vermelho e o branco marcavam ocasião, guerra e luto. Ao ver um gat vermelho ou branco numa série, a pergunta útil é em que situação o personagem está, e não só quem ele é.
Cordão e enfeite do topo seguiam o posto
O cordão (갓끈) servia, na origem, para prender o chapéu sob o queixo e passou a ser também enfeite, de pano, de bambu ou de contas de materiais como jade, ágata, âmbar, coral e cristal. Os de contas e de bambu eram só enfeite e caíam compridos até abaixo do peito, e às vezes um cordão preto de pano é que prendia o chapéu. A enciclopédia cita um registro do ano 24 do rei Sejong (1442): cordões de jade, jade queimado e ágata só para os oficiais de alto escalão (danggwan) ou acima, enquanto os funcionários locais (향리) ficavam sem jade nem ágata, e nem o coral e o cristal eram permitidos a eles. O código Gyeongguk daejeon, também citado, deixou para os danggwan o cordão de ouro e jade.

O enfeite do topo, o jeongja (정자), seguia a mesma lógica. Pelo Gyeongguk daejeon, o grão-príncipe (대군) usava jeongja de ouro, quem tinha posto de terceiro grau sênior (정3품) ou acima usava prata, os funcionários dos órgãos de fiscalização (사헌부 e 사간원), os governadores de província e os comandantes militares usavam jade, e o fiscal (감찰) usava cristal. A própria enciclopédia avisa que não dá para confirmar como esses enfeites eram na prática. Do que sobrou, só se conhece o okro (옥로), uma garça de jade que ministros, ex-ministros e comandantes usavam em cerimônias com traje militar e que os enviados ao exterior também usavam.
Na corte era sa-mo, e em 1895 o gat abriu para todos
Dentro do palácio, o gat ficou só por um tempo. O verbete conta que no reinado de Taejong os oficiais chegaram a entrar na corte de gat, até que um registro da época reclamou que, mesmo sem chuva nem neve, funcionários de todos os escalões andavam de gat no caminho da corte, o que não era conveniente. No ano seguinte a corte passou ao sa-mo (사모), e o gat ficou para a roupa do dia a dia (편복).
A aba também mudava de reinado em reinado. Pelo verbete, a aba larga e a copa baixa duraram até o fim do reinado de Myeongjong, a copa subiu e a aba estreitou desde o início do de Seonjo, e com Gwanghaegun a aba voltou a ficar larguíssima, com a copa bem baixa. No fim do reinado de Sunjo ela cobria por inteiro uma pessoa sentada, e, depois que Heungseon Daewongun assumiu o governo, o gat grande deu lugar ao gat pequeno dentro de uma reforma social. A leitura da redação: uma aba mais larga ou mais estreita de uma série para outra pode só refletir o reinado em que a história se passa, e a enciclopédia não fala de série nenhuma.
Em 1895, segundo o verbete, a regra permitiu que a gente de origem baixa (천인) usasse o gat e proibiu o paeraengi, e a diferença de nascimento no vestuário deixou de existir. De 1357, quando o gat foi mandado aos oficiais civis e militares, até 1895 são 538 anos. A conta é da redação e só mede o intervalo entre as duas datas, sem dizer que o uso foi igual em todo esse tempo.
Hoje o gat quase só aparece em sageuk
O informativo da Agência do Patrimônio, em texto de 3 de agosto de 2006 sobre o artesão Jeong Chun-mo, dizia que o gat já não era visto nem entre os velhos do campo e só aparecia de vez em quando em dramas históricos e filmes (사극 드라마나 영화). Pelo mesmo texto, fazer um gat leva 51 etapas: 24 na aba, 17 na copa e 10 na montagem final (입자). O ofício, o gat-il (갓일), foi declarado patrimônio imaterial importante em 24 de dezembro de 1964 e hoje consta como Patrimônio Imaterial Nacional (국가무형유산).
Quando um personagem aparecer de chapéu, três perguntas bastam: de que cor ele é, como são o cordão e o enfeite do topo, e onde o personagem está, na corte ou na rua. São perguntas da redação a partir do verbete, e não uma regra de figurino. O lugar do sageuk entre os outros gêneros está em gêneros de doramas: romance, thriller e sageuk.
Para ver como um gat é feito hoje, o canal oficial da Arirang TV publicou em março de 2026 um vídeo de 37 segundos. A descrição o chama de K-Heritage Tradition Reborn e credita a peça a Park Chang-young (박창영), apresentado como detentor do patrimônio imaterial nacional do gat-il.