dorama.de pertoSeu próximo dorama
começa aqui.
Conheça o portal

Histórias e cultura

Ramyeon, frango e soju nos doramas: o que a lei coreana diz sobre PPL e marca na cena

Prato de ramyeon, frango e soju na cena não é anúncio por si só. O decreto coreano do PPL e as normas da TV mostram o limite, e o soju fica de fora.

Redação Dorama de Perto · · Edição: Bruno Teles

Estantes rosa com pacotes de ramyeon, salgadinhos e garrafas de bebida num estande de feira, com a placa Ramen Library no chão
Estante de pacotes de ramyeon e bebidas num estande da Feira Internacional de Ramyeon da Coreia, em Seul, em 4 de abril de 2025. Foto: Lee Jeong-woo / Korea.net (CC BY-SA 2.0). Foto: Lee Jeong-woo / Korea.net · CC BY-SA 2.0. Imagem redimensionada para publicação.

Um prato de ramyeon, uma porção de frango frito ou uma garrafa verde de soju na cena não são, por si sós, anúncio, e a lei coreana trata a propaganda declarada de outro jeito: o decreto da lei de radiodifusão só aceita o PPL (간접광고) com aviso por legenda antes do programa, no máximo 7% do tempo e sem citar o produto nem pedir que o espectador compre. O soju tem um detalhe a mais, e ele aparece no meio da matéria.

A redação leu em 3 de outubro de 2026 o artigo 59-3 do decreto da lei de radiodifusão (em vigor desde 26 de maio de 2026), as normas de revisão de programação e de anúncios da comissão coreana de revisão da TV (em vigor desde 29 de setembro de 2026) e matérias do Korea.net, o site oficial do governo coreano, sobre ramyeon, frango e soju. As regras citadas valem para a TV; o que vale para o streaming fica fora desta matéria. As fotos vêm do Flickr do Korea.net e têm licença livre.

Prato na mesa não é anúncio

A norma de revisão de programação proíbe que a TV dê efeito de anúncio a um produto (art. 56). Não pode destacar em excesso nem repetir nome, marca ou logotipo, nem mostrar o uso do produto com destaque exagerado, salvo quando isso for inevitável para o programa. Na mesma norma, três casos ficam fora da proibição: o produto que aparece sem intenção, como fundo ou objeto de cena; a exposição inevitável para contar a história, sem atrapalhar quem assiste; e a propaganda indireta que a lei permite.

Mão de visitante segura hashis sobre um copo de ramyeon ao lado de uma máquina branca, com outras pessoas ao fundo
Visitante come ramyeon de copo ao lado de uma máquina na mesma feira, em Seul. Foto: Lee Jeong-woo / Korea.net (CC BY-SA 2.0). Foto: Lee Jeong-woo / Korea.net · CC BY-SA 2.0. Imagem redimensionada para publicação.

A leitura da redação é prática. A tigela de ramyeon na mesa da cozinha cabe no primeiro caso. A que aparece com a marca em destaque, de novo e de novo, só se encaixa no terceiro, o da propaganda indireta declarada. A norma não cita ramyeon, frango nem soju, e esses exemplos são da redação.

O que o decreto exige do PPL

O artigo 59-3 do decreto dá as condições. O PPL só vale em programa de cultura ou de entretenimento (교양 ou 오락), com duas exclusões: o programa feito para crianças e o de jornalismo, comentário ou debate. O artigo 50 do mesmo decreto define entretenimento como programa que busca cultivar o sentimento do povo e diversificar o lazer. O texto não cita o gênero drama, e a redação o lê dentro dessa faixa.

O tempo em que produto, marca ou logotipo aparecem não passa de 7% da duração do programa, sem contar a exposição inevitável e natural. A marca ocupa no máximo um quarto da tela. Se há PPL, uma legenda avisa antes de o programa começar. O PPL também não pode mudar o conteúdo, citar o produto, convidar o público a comprar ou usar, nem atrapalhar o fluxo de quem assiste.

Soju: a regra fecha a porta do PPL

Em Itaewon Class, o protagonista Park Saeroyi vende uma garrafa verde no pojangmacha, a barraca de rua. O Korea.net diz que a garrafa guarda o soju, que aparece com frequência em filmes e séries coreanos e é chamado de bebida do povo. Na matéria de 4 de agosto de 2022, a garrafa comum tem 360 ml e custa 2.000 wons, e o soju diluído vendeu 3,7 trilhões de wons em 2021, a bebida alcoólica número 1 do país, com 42,1% do mercado, segundo o Anuário Estatístico Tributário Nacional. O teor alcoólico foi de 30% em 1965 para 20% em 2006 e hoje chega a 15%. A série tem guia completo em Itaewon Class: história, elenco e o bairro sem spoilers.

Agora a conta. O parágrafo 2 do artigo 59-3 diz que produto de anúncio proibido ou de horário limitado por outra regra não pode ter PPL. A norma de anúncios veta anúncio de bebida alcoólica na TV das 07:00 às 22:00 (art. 55) e proíbe de vez o de bebida com 17 graus ou mais (art. 54). A leitura da redação: como o anúncio de soju tem horário limitado, a garrafa não pode vir como PPL declarado. É leitura de duas regras, e nenhuma delas cita o soju. A norma de programação ainda pede cuidado para não embelezar nem incentivar a bebida (art. 34).

Ramyeon e frango vendem fora da tela

As exportações de ramyeon chegaram a US$ 952 milhões em 2023, alta de 24,4% sobre 2022, o nono recorde seguido, para 132 países, segundo a Alfândega coreana, em matéria do Korea.net de 29 de fevereiro de 2024. Em janeiro de 2024 foram US$ 86 milhões, 39,4% a mais que um ano antes. Em outra matéria, de 31 de outubro de 2022, o Korea.net citou US$ 218,8 milhões em 2015. A conta da redação: de 2015 a 2023 a cifra ficou mais de quatro vezes maior, e como os dois números vêm de dois órgãos, ela vale como ordem de grandeza. Em 7 de janeiro de 2026, o Korea.net registrou que o Oxford English Dictionary incluiu a palavra ramyeon.

Visitante de costas olha uma máquina de venda de ramyeon em copo, de painel amarelo e vermelho, num corredor da feira
Máquina de venda de ramyeon em copo (컵라면 자판기) na Feira Internacional de Ramyeon da Coreia, em Seul. Foto: Lee Jeong-woo / Korea.net (CC BY-SA 2.0). Foto: Lee Jeong-woo / Korea.net · CC BY-SA 2.0. Imagem redimensionada para publicação.

No frango, uma pesquisa de agosto e setembro de 2021, feita pelo Ministério da Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais e por um instituto de promoção da comida coreana com 8.500 moradores de 17 grandes cidades do mundo, pôs o frango frito estilo coreano no topo entre quem já provou comida coreana: 30% o comeram, contra 27,7% do kimchi e 27,2% do bibimbap, e 16,1% o apontaram como favorito. O ministério ligou a alta da comida coreana no exterior à divulgação constante e à imagem do país com a Onda Coreana, K-pop e K-dramas incluídos. Esses números explicam por que a comida chama atenção, mas nenhuma das fontes diz que uma cena de série tenha vendido um produto.

Ramyeon fora da ficção, em quase 13 minutos

Para ver o ramyeon sem enredo, o canal Arirang News publicou em maio de 2026 uma conversa de quase 13 minutos com um criador de conteúdo de culinária, em inglês. A descrição lista as perguntas: variedades, modos de preparo, receitas, o ramyeon à beira do rio Han e os espaços onde dá para escolher entre vários tipos.

Outro aviso que a TV coloca antes do programa é o selo de idade, e o que ele quer dizer está em classificação indicativa e idade coreana nos doramas.