Histórias e cultura

Mergulhadoras de Jeju descem a 10 metros sem cilindro e ficam um minuto sem respirar

As haenyeo de Jeju mergulham a 10 metros sem oxigênio. Saiba como é o trabalho delas e por que a Unesco reconheceu a prática em 2016.

Por · Publicado em · Edição: Maria Heloisa Barbosa Borges

Mergulhadoras de Jeju descem a 10 metros sem cilindro e ficam um minuto sem respirar
Imagem de divulgação ligada à pauta. Foto: Reprodução/static.independent.co.uk. Imagem promocional: Reprodução/static.independent.co.uk.

As haenyeo de Jeju mergulham a 10 metros de profundidade sem cilindro e sem máscara de oxigênio para ganhar a vida colhendo abalone e ouriço-do-mar. Jeju é uma ilha da Coreia do Sul, e a Unesco incluiu essa prática na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2016, na 11ª sessão do comitê, identificada como 11.COM.

O mergulho das haenyeo de Jeju em números

Algumas delas estão na casa dos 80 anos e continuam no mar. Segundo a Unesco, elas trabalham até sete horas por dia, durante 90 dias do ano. Em cada mergulho, ficam sem respirar por apenas um minuto. Ao voltar à superfície, soltam um som vocal característico, que faz parte da prática.

Nada disso acontece por acaso. Tudo depende de conhecer o mar e a vida marinha, e é esse saber que a Unesco destaca como o centro da cultura delas.

Reprodução/fao.org. Fonte

Hagun, junggun e sanggun: a hierarquia do grupo

As mergulhadoras se dividem em três grupos de acordo com a experiência: hagun, junggun e sanggun. Cada grupo tem seu lugar, e o papel das sanggun é diferente dos outros. As sanggun dão orientação às demais, o que deixa claro quem ensina quem dentro da equipe.

Esse modelo mostra que a prática não é só força física. Ela depende de uma escada de experiência que vai sendo percorrida ao longo dos anos no mar.

Oração antes do mergulho e o caminho do saber

Antes de entrar na água, elas rezam para Jamsugut, a deusa do mar, pedindo segurança e uma pesca farta. A oração faz parte da rotina tanto quanto o próprio mergulho.

O conhecimento passa de geração em geração pelas famílias e pelas escolas. Ele também circula nas cooperativas pesqueiras, que têm os direitos de pesca da área, nas associações de haenyeo, na The Haenyeo School e no Haenyeo Museum. Já contamos parte dessa história em a matéria sobre as mergulhadoras de Jeju sem oxigênio e o reconhecimento da Unesco, se quiser ver o contexto anterior.

karendotcom127 from New York, USA/Wikimedia Commons (CC BY 2.0). Fonte

Por que a Unesco destacou o papel das mulheres

Para a Unesco, a cultura das haenyeo ajudou a melhorar a posição das mulheres na comunidade. Essa é uma das razões citadas para o reconhecimento, ao lado da forma como a prática se organiza.

O método também é ecológico. As mergulhadoras pescam com técnicas que cuidam do ambiente, e a comunidade participa da gestão da atividade. Para a Unesco, isso ajuda a sustentabilidade ambiental da região.

Tradições coreanas ganham espaço no nosso site com frequência. Outro exemplo é o pansori, canto coreano que também já apareceu em nossas matérias, e a comparação ajuda a entender como a Coreia trata o próprio patrimônio.

Para quem quer entender a prática antes de qualquer outra coisa, o caminho mais direto é o Haenyeo Museum, citado pela própria Unesco como um dos lugares onde o saber é ensinado. A página oficial da Unesco, em inglês, reúne a descrição completa da prática.

Fonte: ich.unesco.org

Leia também: Haenyeo de Jeju mergulham 10 metros sem oxigênio e entraram na lista da UNESCO em 2016.

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