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Diretor de Invasão Zumbi lança curtas com IA antes de Paradise Lost, com Kim Hyun-joo

Yeon Sang-ho, de Profecia do Inferno, soltou dois curtas feitos com IA no mundo de Paradise Lost; o filme com Kim Hyun-joo estreia na Coreia em 21/10.

Redação Dorama de Perto · · Edição: Bruno Teles

Montagem com duas fotos lado a lado: à esquerda, mulher de perfil com cabelo castanho preso, brinco longo em forma de estrela e blusa verde; à direita, homem de óculos redondos pretos, bigode e cavanhaque, terno escuro e gravata cinza, diante de painel azul com a marca tiff
Kim Hyun-joo (à esquerda, em 2018) e o diretor Yeon Sang-ho (no Festival de Toronto de 2025), em duas fotos separadas; nenhuma é do filme. Imagens: 于平 林 (CC BY-SA 2.0) e John Sears (CC BY-SA 4.0) / Wikimedia Commons. Imagem promocional: 于平 林 / Wikimedia Commons · CC BY-SA 2.0. Imagem redimensionada para publicação.

Yeon Sang-ho, diretor de Invasão Zumbi e de Profecia do Inferno, lançou em 29 de setembro de 2026 dois curtas feitos com IA generativa para abrir caminho ao seu novo filme, Paradise Lost, com Kim Hyun-joo. Os episódios saíram no YouTube, no Naver TV, no Instagram e no Facebook, segundo a distribuidora CJ ENM, e contam histórias passadas no mesmo mundo do longa.

O filme, cujo título coreano também significa Paraíso Perdido, estreia nos cinemas coreanos em 21 de outubro. Antes disso, passou pelo Festival de Toronto e vai ao Festival de Busan. A atriz que o diretor escolheu para o papel principal é a mesma de Profecia do Inferno, e a parceria entre os dois é o centro da divulgação desta semana.

A história de Paradise Lost

O longa é um suspense psicológico sobre uma mãe, Ryu So-young, vivida por Kim Hyun-joo. Nove anos antes, o filho dela, Sun-woo, desapareceu junto com o ônibus de um acampamento escolar, e a família passou a acreditar que ele estava morto. Para suportar a perda, ela passou esse tempo conversando com uma versão infantil do menino criada por um programa de IA chamado Children of Paradise.

Um dia, o filho de verdade volta vivo, com o corpo cheio de cicatrizes e um olhar que ela não reconhece. A partir daí, So-young divide a casa com dois filhos ao mesmo tempo: o menino da tela, que nunca cresceu, e o rapaz estranho que voltou. O que parecia um milagre vira uma convivência incômoda, e é essa tensão que a divulgação destaca.

Os curtas feitos com IA que saíram nesta terça

A série de curtas leva o nome do filme seguido da palavra Universe e funciona como uma prequela, com histórias que acontecem antes do filme. Segundo a agência Yonhap, o mundo retratado é aquele em que a tecnologia de reencontrar quem já morreu virou coisa do dia a dia. O roteiro é do próprio Yeon Sang-ho, e as imagens foram produzidas com IA generativa.

O primeiro episódio, A Sua Sopa de Algas (tradução livre do título coreano; a sopa de algas é o prato tradicional de aniversário na Coreia), mostra um idoso viúvo que volta a sentar à mesa com a mulher por meio de um aparelho. O segundo, O Papai Está Aqui (também em tradução livre), acompanha uma menina que reencontra o pai morto através de um par de óculos. Os episódios 3 e 4 saem em 6 de outubro. A trilha é de Chae Min-ju, que também compôs a música do longa.

Na leitura da redação, a escolha conversa com o próprio filme: a história fala de uma mãe que se apega a um filho feito por máquina, e a divulgação usa imagens feitas por máquina para contar histórias de gente que faz o mesmo.

Por que Kim Hyun-joo

Em material divulgado em 29 de setembro e relatado pelo Soompi, Yeon Sang-ho disse que pensou só em Kim Hyun-joo para o papel desde o começo. Ele descreveu So-young como um papel muito difícil, em que atuar forte demais soa artificial e atuar contido demais esconde a emoção do público, e disse que queria entregar a personagem à atriz em quem mais confia em toda a carreira.

Mulher de cabelo castanho preso, blusa bege clara e saia cinza fazendo coração com os dedos das duas mãos, diante de painel verde
Kim Hyun-joo em abril de 2018, na leitura de roteiro de outra produção; a foto não é do filme. Imagem: 于平 林 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0). Imagem promocional: 于平 林 / Wikimedia Commons · CC BY-SA 2.0. Imagem redimensionada para publicação.

Kim Hyun-joo explicou que a primeira coisa que So-young sente ao ver o filho não é alegria. Como a volta era algo difícil de acreditar, disse ela, o que vem primeiro é a estranheza de ter um homem desconhecido parado à sua frente. No programa de rádio de Yoo In-na, em 23 de setembro, a atriz contou que este é o quinto trabalho com o diretor, e que a parceria é confortável, mas ainda traz novidade, segundo a News1 e o Newsen.

A dupla que o Brasil já viu na Netflix

O público brasileiro conhece a parceria de Profecia do Inferno, série de Yeon Sang-ho que está na Netflix. Kim Hyun-joo faz parte do elenco e esteve na apresentação da segunda temporada à imprensa, em outubro de 2024. Segundo o Soompi, os dois ainda trabalharam juntos no filme Jung_E e na série The Bequeathed.

Mulher de cabelo escuro preso, franja e vestido preto de couro com mangas bufantes, em pé diante de fundo escuro esverdeado
Kim Hyun-joo na apresentação da segunda temporada de Profecia do Inferno à imprensa, em outubro de 2024. Imagem: TV10 / Wikimedia Commons (CC BY 3.0). Imagem promocional: TV10 / Wikimedia Commons · CC BY 3.0. Imagem redimensionada para publicação.

A diferença agora é o tamanho do papel e o tom. Em Paradise Lost, ela carrega o filme inteiro, sem monstros nem apocalipse em volta. Segundo a MHN, é o suspense mais sombrio e frio do diretor, que, nas palavras dele, trocou o grande desastre e os seres sobrenaturais pelo que se passa dentro de uma pessoa.

Bae Hyeon-seong, o filho que volta estranho

O filho desaparecido é vivido por Bae Hyeon-seong, em seu primeiro papel principal no cinema. Ele é conhecido na Coreia pela imagem de rapaz certinho, e a imprensa local destaca justamente a virada: em Paradise Lost ele é o jovem de olhar frio que ninguém consegue ler.

Para quem acompanha o elenco pelos doramas, vale a observação de que tudo o que foi mostrado até agora gira em torno de três figuras: a mãe, o filho de verdade e o filho artificial. O próprio material de divulgação chama a relação entre mãe e filho de convivência incômoda, e é nela que o filme aposta.

De Toronto a Busan: o caminho até a estreia

A estreia mundial foi em 13 de setembro, no 51º Festival Internacional de Cinema de Toronto, na mostra Special Presentations, com o diretor e os dois atores no tapete vermelho. Segundo a MHN, que cita a distribuidora, as quatro sessões oficiais, com cerca de 2.300 lugares, esgotaram logo que os ingressos foram abertos. É o segundo ano seguido de Yeon Sang-ho em Toronto, depois de The Ugly, em 2025.

O próximo passo é o 31º Festival de Busan, na mostra Gala Presentation, que faz a primeira exibição do filme na Ásia. A estreia comercial na Coreia está marcada para 21 de outubro. O ano já tinha sido grande para o diretor: o filme anterior dele levou 5,9 milhões de pessoas aos cinemas coreanos e passou em Cannes, na mostra Midnight Screenings.

De onde veio a história

O ponto de partida foi pessoal. Segundo a MHN, Yeon Sang-ho contou que o filme nasceu de um texto de três páginas escrito pela mãe dele, que trabalhou por décadas na limpeza. O título vem do poema épico Paraíso Perdido, do inglês John Milton.

Na sessão de perguntas em Toronto, o diretor disse que a ideia surgiu de uma preocupação com o nosso tempo: numa época em que se vive cercado de imagens perfeitas feitas por tecnologia, a pessoa só consegue ter identidade se aceitar que é imperfeita. É o mesmo tema que aparece no filho criado por IA que nunca envelhece.

Quando dá para ver no Brasil

Os dois curtas já estão abertos no canal oficial da CJ ENM Movie no YouTube, e o primeiro está nesta página. O filme tem, por enquanto, só as datas coreanas: Busan em outubro e cinemas em 21 de outubro. A CJ ENM já publicou um trailer internacional com o título em inglês, Paradise Lost, que é o nome a procurar nas plataformas.

Enquanto isso, quem quiser entender o estilo do diretor pode começar por Profecia do Inferno, que está na Netflix. Para quem gosta de terror coreano com zumbi, o nosso guia de Kingdom mostra outra ponta do gênero; o texto sobre os gêneros de doramas ajuda a separar suspense de melodrama, e a lista de estreias de outubro no Brasil reúne o que chega ao país no mês.