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Histórias e cultura

Sr. Rainha: o chef que acorda no corpo de uma rainha de Joseon, em 20 episódios

A comédia de época da tvN com Shin Hye-sun: premissa, a rainha real por trás do título, a adaptação chinesa, dublagem, 24 horas de duração e o Top 10.

Bruno Teles ·

Shin Hye-sun como So-yong, de hanbok magenta e rosto sujo, se inclina sobre uma mesa baixa diante de Kim Jung-hyun como Cheoljong, de manto vermelho real, num pavilhão
So-yong e o rei Cheoljong num pavilhão, em foto de divulgação da tvN. Imagem promocional: tvN/Divulgação.

Sr. Rainha, nome brasileiro de Mr. Queen, é a comédia de época da tvN em que um chef da Seul de hoje acorda no corpo de uma rainha da dinastia Joseon, e a série está na Netflix Brasil com dublagem em português, legendas em português e áudio original em coreano. Shin Hye-sun (grafada Shin Hae-sun na ficha brasileira) faz a rainha So-yong, e Kim Jung-hyun vive o rei Cheoljong. A classificação indicativa é A14.

A tvN exibiu os 20 episódios aos sábados e domingos, de 12 de dezembro de 2020 a 14 de fevereiro de 2021. O título coreano, 철인왕후, é o nome de uma rainha que existiu de verdade, e essa mistura de personagens históricos com comédia de troca de corpos está no centro da premissa e também das críticas que a série recebeu na Coreia, contadas mais abaixo.

Um chef arrogante, uma piscina e o corpo de uma rainha

A ficha brasileira da Netflix resume assim: um chef viaja no tempo e acorda no corpo de uma rainha do século 19, e até achar um jeito de voltar para casa vai ter de se virar na corte. O primeiro episódio, pela sinopse da plataforma, mostra o arrogante chef Bong-hwan fugindo da polícia depois de servir uma comida ruim a um embaixador, caindo numa piscina e acordando no corpo de uma antiga rainha.

A página oficial da tvN chama a história de escândalo de alma fugitiva: a alma de um homem que a emissora descreve como o maior exibido do país vai parar na rainha Kim So-yong, que ganha uma energia de outro mundo, ao lado de Cheoljong, apresentado como o rei de duas caras. Este guia fica nesse ponto de partida.

A rainha e o rei existiram, a história da série não

Pela Enciclopédia da Cultura Coreana, a rainha Cheorin viveu de 1837 a 1878, era do clã Kim de Andong, filha de Kim Mun-geun, e foi feita rainha em 1851 como esposa de Cheoljong, o 25º rei de Joseon, que reinou de 1849 a 1863. A série parte desses nomes e inventa o resto: a própria tvN diz que acrescentou imaginação a um rei que recebeu pouca atenção na história.

Kim Jung-hyun como Cheoljong, de manto vermelho com bordados dourados e chapéu preto, lê um livro numa mesa baixa dentro de um pavilhão aberto para o jardim
Cheoljong, o rei de duas caras da série, em foto de divulgação da tvN. Imagem promocional: tvN/Divulgação.

Comparando a enciclopédia com a página de personagens da tvN, dá para ver até onde vai a ficção. O pai de So-yong na série se chama Kim Mun-geun, como o pai da rainha real, mas a família dele aparece como o clã Kim de Ansong, e não de Andong, e outra família da corte aparece como o clã Jo de Pungan. Em dezembro de 2020, a produção também pediu desculpas por uma fala do episódio 2 que chamava de tabloide os Anais da Dinastia Joseon, registro histórico reconhecido pela Unesco, e disse ter apagado o trecho, segundo o Korea Times.

O que a tvN quis mostrar na cozinha do palácio

No texto de intenção da série, que traduzimos do coreano, a emissora lembra que os cozinheiros do órgão que cuidava das refeições do palácio eram, na maioria, homens, e diz que quis inverter a imagem deixada por Dae Jang-geum, o clássico sobre uma cozinheira da corte. Por isso a série mostra um homem, ainda que dentro do corpo de uma rainha, empunhando a faca na cozinha, e mulheres da corte caçando com arco e disputando espaço por ambição própria.

Shin Hye-sun como So-yong, de avental branco sobre o traje vermelho e dourado, com um enfeite de fênix no cabelo; ao fundo, um homem de roupa branca e chapéu escuro
So-yong de avental por cima do traje de rainha, em foto de divulgação da tvN. Imagem promocional: tvN/Divulgação.

O mesmo texto dá outros detalhes do tom. Bong-hwan, que foi chef da Casa Azul, a antiga sede da presidência sul-coreana, descobre a saúde e os sentimentos das pessoas pelos pratos que elas mais escolhem na mesa. E a relação da rainha com o rei é apresentada como a de um casal de vitrine, que finge harmonia em público, algo que a tvN compara à tentativa de reconciliação de um casal casado há muito tempo. A Netflix marca o título como obra de época, comédia dramática e viagem no tempo.

A adaptação de um romance chinês que manteve só a ideia

A premissa vem do romance chinês 태자비승직기, como informou o jornal Hankook Ilbo no dia da estreia. Segundo o jornal, a série coreana pegou apenas a ideia da alma de um homem moderno no corpo de uma rainha, e o restante da história e do desenvolvimento é outro. A escolha também gerou críticas na Coreia por comentários antigos do autor do romance sobre o país; a produção disse ao Korea Times que não sabia disso quando comprou os direitos e que afastaria a versão coreana do material de origem.

Para quem quer entender o gênero, o texto sobre o que é sageuk explica as séries históricas coreanas. E quem gostar da ideia de uma pessoa da cozinha de hoje perdida na corte de Joseon pode ler o guia de Bon Appétit, Vossa Majestade, em que uma chef contemporânea vai parar na era Joseon e precisa conquistar o rei a cada refeição.

Vinte episódios, 24 horas e três semanas no Top 10 brasileiro

Em 24 de setembro de 2026, a ficha brasileira listava áudio em coreano original, português e espanhol latino-americano, e legendas em português, inglês, espanhol, francês e alemão, sem audiodescrição. Os dez primeiros episódios exibidos na página vão de 1 hora e 5 minutos, no oitavo, a 1 hora e 21 minutos, no terceiro e no quarto. Para a minissérie inteira, os dados da mesma página registram 86.416 segundos, ou 24 horas cravadas, o que dá uma média de 72 minutos por episódio. Para escolher a versão, veja como decidir entre dublado e legendado.

Nos dados oficiais do Top 10 por país, Sr. Rainha passou três semanas seguidas entre as séries mais vistas no Brasil, em nono, nono e décimo lugar, da semana encerrada em 19 de fevereiro à encerrada em 5 de março de 2023. A página oficial da primeira dessas semanas mostra um momento de muitos títulos coreanos na lista brasileira: além de Sr. Rainha, apareciam, com os nomes em inglês da planilha, Physical: 100, Love to Hate You e as duas partes de Alquimia das Almas, outra série de época. No ranking global de séries em língua não inglesa, foram seis semanas, com terceiro lugar como melhor posição.