The Assassin(s): agência de Yoo Hae Jin promete ação contra ataques ao ator
A VAST Entertainment diz que vai tomar todas as medidas possíveis contra ataques a Yoo Hae Jin; ministro e 19 entidades do cinema reagem ao caso.

A VAST Entertainment, agência do ator Yoo Hae Jin, avisou na segunda-feira, 5 de outubro, que vai tomar "todas as medidas possíveis" contra ataques a ele nas redes e em comunidades online. Yoo é o protagonista de "The Assassin(s)", filme coreano que virou alvo de protestos desde a estreia, em 23 de setembro.
No comunicado, que o Soompi publicou na mesma data, a agência diz que "calúnias e falsidades" sobre o ator circulam "indiscriminadamente". Ela cita também atos que violam a privacidade dele, ameaçam a segurança pessoal ou difamam o ator, e afirma que está reunindo postagens e provas.
O que a agência prometeu fazer
A nota é curta e não cita nomes, nem processos já abertos. Os pontos que ela traz:
- a VAST está recolhendo publicações e provas dos ataques;
- vai agir para proteger "os direitos pessoais e a segurança" do ator contra atos ilegais;
- vai monitorar o assunto com regularidade e tomar as medidas necessárias a cada caso que encontrar.
O Korea Times informa que a nota saiu depois de um protesto de grupos cívicos conservadores perto da casa de Yoo, no distrito de Seongbuk, em Seul, no domingo, 4. Os manifestantes pediam a retirada do filme dos cinemas e um pedido de desculpas do elenco e da equipe.
O que o filme conta e por que há protesto
"The Assassin(s)" tem Yoo Hae Jin, Park Hae Il e Lee Min Ho no elenco, e direção de Hur Jin-ho. A história parte do atentado de 1974 contra o então presidente Park Chung-hee, em que a primeira-dama, Yuk Young-soo, morreu.
A investigação oficial concluiu que Mun Se-gwang, coreano residente no Japão, agiu sozinho, por instruções ligadas à Coreia do Norte. Segundo o Korea Times, o filme sugere uma possível cumplicidade de integrantes do governo e dos serviços de inteligência, e críticos o acusam de distorcer a história e de difamar com base em informações falsas. A produtora rejeita a acusação e diz que o filme não foi feito para negar nem distorcer fatos históricos, segundo a agência Yonhap.
Este texto não avalia a discussão histórica. O assunto aqui é a segurança de quem trabalhou no filme, que mobilizou o governo e a indústria.
Ministro da Cultura e 19 entidades do cinema reagem
O ministro da Cultura, Chae Hwi-young, pediu à polícia que proteja o elenco e a equipe e que aplique a lei contra ameaças e intimidação. Em mensagem nas redes sociais, citada pelo Korea Times, ele escreveu: "As pessoas são livres para julgar um filme, mas ameaças à segurança pessoal de seus criadores destroem a democracia." A tradução é nossa, do inglês.
Uma coalizão de 19 organizações do cinema também divulgou nota conjunta na segunda-feira. Elas afirmam que o julgamento de uma obra cabe ao público e à sociedade, e que a vida e a segurança de ninguém devem ser ameaçadas só por participar de um filme ou expressar uma opinião.
Festival de Busan, patrocinador e bilheteria
Em 2 de outubro, a distribuidora Hive Media Corp. informou que o filme não participaria da cerimônia de abertura do Festival de Busan nem do evento de palco ao ar livre, citando a segurança do público e dos participantes. A atividade em que Lee Min Ho encontraria o público também foi cancelada. Na abertura do festival, o filme em cartaz é outro: The Table: Day and Night, com Shim Eun Kyung e Lee Hee Joon.
Segundo a Yonhap, a Kiwoom Securities suspendeu uma campanha publicitária com Yoo Hae Jin, e uma rede de fast food fechou os comentários de postagens com o ator.
O filme segue no topo. De acordo com o Conselho de Cinema da Coreia (KOFIC), citado pelo Soompi, o filme tinha 2.045.495 espectadores até 3 de outubro, 11 dias depois da estreia, e continua em 1º lugar na bilheteria do país.
Onde acompanhar
A VAST disse que continuará monitorando os ataques, e novas medidas dependem do que a agência encontrar. O comunicado completo está no Soompi. Para quem quer ver cinema coreano em São Paulo nesta semana, a programação do KOFF e as sessões esgotadas estão atualizadas no site.