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Histórias e cultura

Jang Ki-yong viaja no tempo só até os dias felizes em Uma Família Inusitada

Guia de Uma Família Inusitada: os Bok e seus poderes perdidos, Chun Woo-hee como a mulher suspeita, 12 episódios dublados e três semanas no Top 10 do Brasil.

Bruno Teles ·

Chun Woo-hee, de conjunto amarelo e bolsa branca, entre dois quadros: à esquerda Jang Ki-yong de capuz cinza e, à direita, Goh Doo-shim de óculos e casaco azul-marinho
Da-hae, Gwi-ju e Man-huem na arte principal de Uma Família Inusitada divulgada pela Netflix. Imagem promocional: Netflix/Divulgação.

Jang Ki-yong vive um pai capaz de voltar no tempo, mas só até os momentos felizes da própria vida, e que perdeu até esse poder para a depressão. É o ponto de partida de Uma Família Inusitada, série da emissora coreana JTBC de 2024, com 12 episódios, dublagem e legendas em português na Netflix Brasil, e Chun Woo-hee no papel da mulher suspeita que entra na rotina da família.

O título em inglês é The Atypical Family; o coreano, 히어로는 아닙니다만, quer dizer algo como "não sou herói, mas..." (tradução nossa). A ficha brasileira de Uma Família Inusitada registra uma minissérie de 2024 com classificação A12 e a descreve como a história de uma família dotada de superpoderes que começa a perdê-los diante dos problemas do mundo moderno. Daqui em diante, o texto fica no que a emissora e a Netflix divulgaram para apresentar a série e na sinopse do primeiro episódio.

Um poder para cada Bok e um mal moderno para cada poder

A apresentação oficial da JTBC começa por uma lista que qualquer família reconhece: depressão, insônia, obesidade, vício em celular. Na casa dos Bok, cada um desses males levou embora um dom. O pai, que revisitava o passado feliz, ficou deprimido. A avó, que sonhava com o futuro, não consegue mais dormir. A tia, que voava, ficou pesada demais para sair do chão. E a filha, que perdeu a mãe por causa desses poderes, preencheu o vazio com o smartphone.

Claudia Kim como Bok Dong-hee, de camisa rosa, e Jang Ki-yong como Bok Gwi-ju, de moletom cinza com capuz, sentados a uma mesa com arranjos de flores lilases num jardim
Dong-hee e Gwi-ju num almoço da família no jardim, em foto oficial da JTBC. Imagem promocional: JTBC/Divulgação.

O mesmo texto encerra a ideia com uma frase que resume o humor da série: talvez a doença crônica mais difícil de curar entre as pessoas de hoje seja a família, que tanto adoece quanto oferece o remédio. É nesse terreno que aparece a mulher capaz, ao que tudo indica, de devolver saúde e poderes aos Bok.

Bok Gwi-ju e as regras da viagem ao passado

O poder de Gwi-ju tem regras rígidas, explicadas no perfil do personagem na JTBC. Ele fecha os olhos, lembra de um momento feliz e, ao abri-los, está lá. Não consegue tocar em nada nem mudar coisa alguma, e ninguém no passado o vê ou o escuta. Por anos, quis dar a esse dom um uso maior do que reviver alegrias pessoais, e foi essa vontade que o levou a virar bombeiro, contra a opinião da mãe.

Os textos da JTBC ligam a perda do poder a duas tragédias do passado dele: um incêndio numa escola, no mesmo dia em que a filha nasceu, e a morte da esposa, anos depois. Por isso Gwi-ju chega à série viúvo, deprimido e pai de uma adolescente. A série trata de luto e depressão sem esconder o peso desses temas; se algum deles mexer com você, o Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.

Do Da-hae, a desconhecida que a matriarca quer casar com o filho

Chun Woo-hee interpreta Do Da-hae, a quem a JTBC chama simplesmente de mulher suspeita que surge de repente. A avó Bok Man-huem, vivida por Goh Doo-shim, se convence de que ela é a salvadora capaz de reerguer a família e empurra um novo casamento com Gwi-ju às pressas. Assim Da-hae passa a morar na casa de muros altos dos Bok e começa a notar que todo mundo ali é um pouco estranho.

Chun Woo-hee como Do Da-hae, de blazer creme, sorri sentada a uma mesa posta no jardim, diante de uma mulher de cabelo cacheado e blusa roxa vista de costas
Da-hae à mesa com os Bok, em foto oficial da JTBC divulgada na semana de estreia. Imagem promocional: JTBC/Divulgação.

A sinopse do primeiro episódio na ficha brasileira mostra o tom desse encontro: depois de algumas massagens restauradoras, Man-huem convida Da-hae para um jantar que termina em briga, e Da-hae relata o que descobriu para a turma dela. Quem ela é e o que pretende, a série vai revelando aos poucos.

A avó, a tia, o avô sem poder e a filha que ainda espera o dela

Segundo a JTBC, Man-huem é a chefe da família e, antes da insônia, via nos sonhos números de loteria e gráficos da bolsa. Claudia Kim, creditada na Coreia como Soo-hyun, faz Bok Dong-hee, irmã mais velha de Gwi-ju, ex-modelo que perdeu a capacidade de voar. Uma reportagem do BizEnter de 4 de maio de 2024 completa a casa: Oh Man-seok é Eom Sun-gu, pai de Gwi-ju e Dong-hee, que cuida da casa e é o único ali sem poder algum, e Park So-i é Bok I-na, a filha de Gwi-ju, uma adolescente arredia cujo dom demora a aparecer.

A mesma reportagem informa que a série não adapta webtoon: é um roteiro original de Ju Hwa-mi, dirigido por Jo Hyun-tack, conhecido pelo drama SKY Castle. A Netflix credita a criação aos dois e a Kang Eun-kyung. Quem se interessa por heróis coreanos pouco convencionais tem outro exemplo recente em Cashero, série em que o protagonista gasta dinheiro para usar os poderes.

Doze episódios de fim de semana e mais de 14 horas no total

A JTBC exibiu o primeiro episódio em 4 de maio de 2024, um sábado, às 22h30 de Seul, e o 12º e último em 9 de junho, com dois capítulos por fim de semana. Na consulta de 24 de setembro de 2026, a ficha brasileira mostrava os dez primeiros, de 1 hora e 5 minutos a 1 hora e 15 minutos cada, que somam 11 horas e 46 minutos. Os dois últimos têm 1 hora e 9 minutos e 1 hora e 15 minutos na página de reprises da JTBC. Na conta da redação, o total passa de 14 horas e 10 minutos.

Jang Ki-yong, de terno preto, e Chun Woo-hee, de blusa clara e saia florida, encostam as palmas das mãos diante de um painel com o título coreano da série e o horário de estreia
Jang Ki-yong e Chun Woo-hee na apresentação da série à imprensa, em foto publicada pela JTBC em 3 de maio de 2024, véspera da estreia. Imagem promocional: JTBC/Divulgação.

A ficha listava áudio em português, coreano original, inglês e espanhol latino-americano, além de audiodescrição em coreano, e legendas em português. Para entender como funciona um calendário de dois episódios por semana, veja o nosso guia de estreias e episódios semanais.

Três semanas no Top 10 brasileiro, depois dos países asiáticos

No Top 10 de séries do Brasil, Uma Família Inusitada apareceu em 7º lugar na semana de 27 de maio a 2 de junho de 2024, caiu para 10º na seguinte e voltou ao 7º entre 10 e 16 de junho, a semana posterior ao último episódio. No ranking global de séries em língua não inglesa, ficou sete semanas, com o 3º lugar como melhor posição.

O arquivo por país mostra uma diferença de calendário. Na Coreia do Sul, a série entrou na lista já na semana de 29 de abril a 5 de maio; no Japão e na Tailândia, na seguinte. No Brasil e nos demais países latino-americanos em que ela entrou na lista, só a partir de 27 de maio, quando oito dos 12 episódios já tinham ido ao ar na Coreia. A ficha brasileira traz 26 de maio de 2024 como data de criação da página, mas não encontramos anúncio oficial da data de chegada ao catálogo daqui. Sobre o que o ranking mede, vale ler como interpretar o Top 10 da Netflix.