Histórias e cultura

Molho que algumas famílias deixam décadas no pote, e a Unesco o chama de patrimônio

O jang coreano é um molho fermentado que a Unesco reconheceu em 2024. Entenda o que ele é e por que a receita passa de mãe para filha.

Por · Publicado em · Edição: Maria Heloisa Barbosa Borges

Molho que algumas famílias deixam décadas no pote, e a Unesco o chama de patrimônio
Imagem de divulgação ligada à pauta. Foto: Reprodução/image.knowingkorea.org. Imagem promocional: Reprodução/image.knowingkorea.org.

O jang coreano é a base da alimentação da Coreia, e em 2024 a Unesco o incluiu na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A decisão saiu na 19ª sessão do Comitê. O reconhecimento não vale só para a receita, e sim para todo o ciclo de fazer, guardar e consumir os molhos.

O que é o jang coreano, afinal

Jang é o nome dado a molhos fermentados. Os mais conhecidos são a pasta de soja, o molho de soja e a pasta de pimenta vermelha. Eles aparecem na mesa ao lado do arroz e do kimchi.

O trabalho começa bem antes da refeição. Envolve preparar a soja e outros ingredientes, criar as condições certas para a fermentação, deixar o molho envelhecer e armazená-lo. Cada etapa mexe no resultado final.

O jang acompanha legumes, peixe e carne. Ele também serve para conservar alimentos, então a prática sempre teve função prática, além do sabor.

Reprodução/cdn.antaranews.com. Fonte

Por que a fermentação importa para a dieta

A alimentação coreana gira em torno do arroz. Segundo a Unesco, os aminoácidos produzidos durante a fermentação ajudam a equilibrar esse prato. Ou seja, o molho entra na conta nutricional da refeição, e não é só tempero.

Por isso o cuidado com a fermentação é tão levado a sério. Temperatura, tempo e armazenamento mudam o resultado, e a tradição guarda esses detalhes de geração em geração. Há ainda amuletos e alguns ritos feitos para que a fermentação e o envelhecimento deem certo.

Cada família tem o seu jang

Os molhos variam de uma casa para outra. Segundo a crença local, cada jang carrega a história e as tradições da família que o faz.

Algumas famílias guardam shoyu envelhecido por décadas para que o sabor da comida se mantenha igual ao longo do tempo. Pense em um molho que ficou no mesmo pote por anos, sendo cuidado sem parar. Esse tipo de paciência é o que a Unesco chama de patrimônio.

Quem passa a receita adiante

A transmissão acontece sobretudo dentro da família, das mães e sogras para as filhas e noras. Escolas, universidades e grupos comunitários também ajudam a manter a prática viva.

É daí que vem a ideia do título, de que o jang passa de mãe a filha. Só que a receita não vai sozinha. Ela vem junto com o costume de cada casa, e é isso que a Unesco quis proteger.

Tradições passadas de geração em geração aparecem em outras áreas do patrimônio mundial, como o canto pansori, reconhecido pela entidade.

Outras comidas tradicionais na lista

A Unesco também olha para a cozinha como patrimônio vivo, e não só para monumentos. O caso japonês da washoku, a comida tradicional do Japão, mostra o mesmo critério: o valor está no gesto repetido em casa.

Na próxima vez que um dorama mostrar uma mesa cheia de potes, vale reparar nos molhos que acompanham o arroz. Muitos deles seguem o mesmo ciclo que a Unesco descreveu: fazer, esperar, guardar e passar adiante.

Fonte: ich.unesco.org

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