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Papel japonês feito com água de rio e peneira de bambu entra na lista da Unesco

O papel washi entrou na lista da Unesco em 2025. Veja como as fibras de amoreira viram folhas, para que servem e quem mantém a técnica viva.

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Papel japonês feito com água de rio e peneira de bambu entra na lista da Unesco
Imagem de divulgação ligada à pauta. Foto: Reprodução/eternarest.ru. Imagem promocional: Reprodução/eternarest.ru.

O papel washi entrou em 2025 na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, da Unesco. A decisão saiu na 20ª sessão do Comitê Intergovernamental. O que a Unesco reconhece é o ofício inteiro: o jeito de fazer o papel à mão e as pessoas que mantêm essa prática viva. Para quem assiste a dramas de época, a ligação é direta, porque portas de papel e cartas aparecem bastante nessas histórias.

Como se faz o papel washi, passo a passo

Tudo começa com a planta da amoreira-de-papel. As fibras são separadas e depois ficam de molho em água limpa de rio, que as deixa mais espessas. Só então a massa passa por uma peneira de bambu, que dá forma à folha. A água do rio e a peneira são parte central do método, e não detalhes de tradição.

A ordem importa: primeiro a separação, depois o molho, por fim a filtragem. Cada passo prepara o seguinte.

Reprodução/kankou-shimane.com. Fonte

Para que serve o papel washi na casa japonesa

O washi é usado para cartas, livros e documentos. Dentro de casa, ele também aparece em biombos, divisórias e portas de correr, as portas deslizantes que separam os cômodos. Ou seja, o mesmo material que leva uma carta também pode fazer a parede de um cômodo.

Esse uso amplo ajuda a entender por que o papel aparece em dramas de época japoneses. Outra prática japonesa com reconhecimento da Unesco é a washoku, a comida tradicional do Japão.

Quem ensina o ofício e como ele passa de geração em geração

O conhecimento do washi passa por três caminhos. O primeiro são as próprias famílias de artesãos. O segundo são as associações de preservação. O terceiro são as prefeituras locais.

Na prática, quem trabalha numa família de artesãos aprende com os mestres do washi, que por sua vez herdaram as técnicas dos pais. Os funcionários dessas famílias também trabalham e aprendem sob a orientação dos mestres. Já o papel em outro contexto religioso aparece nos omikuji, os papeizinhos da sorte dos templos japoneses.

Por que a comunidade trata o papel como identidade

A produção envolve quase toda a comunidade. Há gente que cultiva e colhe a amoreira, e há quem crie produtos novos de washi para divulgar o ofício dentro e fora do Japão. Os praticantes têm orgulho dessa tradição e a veem como símbolo da própria identidade cultural.

Como a maioria das pessoas da comunidade está ligada à prática, o ofício também fortalece a coesão social. Esse é um dos motivos que a Unesco cita ao falar do washi, ao lado da transmissão do saber dentro das famílias.

Na próxima série de época que mostrar uma carta ou uma porta de papel, vale prestar atenção no material. Ele pode ser washi, feito com fibras de amoreira e filtrado numa peneira de bambu.

Fonte: ich.unesco.org

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